terça-feira, 8 de junho de 2010

"República já não tem dinheiro para as festas"

Meio milhão gasto sem concurso público.
Comissão de Comemoração do Centenário da República não tem dinheiro até ao fim do ano para as novas ideias, Criadores e Editores estão irados.

Já nada sobra dos 10 milhões de euros que Portugal entregou à Comissão do Centenário da República. O dinheiro orçamentado para 2010 acabou-se, estando completamente esgotado o programa de actividades. Criadores, autores e editores que têm, desde Março, apresentado propostas e projectos à Comissão recebem cartas muito educadas da Comissão, dizendo que, apesar “do mérito” da iniciativa, ela não será apoiada. Casos há, sabe O Diabo, em que nem sequer a chancela da Comissão é dada às propostas – que assim poderiam ir buscar mais dinheiro a privados, uma vez que eram reconhecidos por organismos oficiais.
Fernando Ribeiro da Comissão da República, explica ao Diabo o que se passa : “Não há cabimento para mais nenhuma iniciativa nova este ano. O programa está fechado e o orçamento que foi aprovado está a aplicar-se”. Isto é : o dinheiro está gasto ou entregue ao programa que já está em marcha. Novas iniciativas, até ao aniversário, nem pensar. Prossegue Fernando Ribeiro : “O que pode ainda vir a ser elaborado é com o orçamento de 2011, uma vez que a Comissão segue o seu trabalho até meados do ano que vem”. A porta-voz da Comissão recusa-se, no entanto, a diz que já não há dinheiro. “Não podemos colocar a questão assim. O programa e as iniciativas têm verbas atribuídas e é nessas que está a ser empregue o orçamento”.

As críticas à Comissão de Comemoração da República não são novas. Os ajustes directos que a instituição totalmente pública fez, principalmente em ano da crise, deram aso a críticas cerradas. A entrega de 189 mil euros sem concurso ao designer Henrique Cayatte e o pagamento à João Lagos Sport – Gestão de Eventos, S.A. de 200 mil euros sem concurso fizeram chover comentários de que a Comissão não procurava os preços mais baixos.
Ao todo a Comissão já gastou mais de meio milhão de euros sem qualquer concurso público. Por vezes em obras que custam 67 mil euros e são, descreve o portal “Base”, “esculturas efémeras”. Isto é, esculturas que não perduram, apenas estão e acabam por desaparecer quando a exposição for desmontada.

Recentemente , instado a comentar o orçamento, D. Duarte de Bragança, comentou os gastos com a festa do regime : “Não percebo como o País inteiro aceita impávido e sereno que 10 milhões de euros sejam gastos sem concursos, de uma maneira puramente arbitrária, não se sabe bem em quê. É um absurdo espantoso, não faz sentido”. O movimento monárquico tem sido aquele que mais critica os gastos da Comissão.

No entanto, uma breve visita à página de Internet das celebrações denota que, de Junho até Outubro, existem centenas de iniciativas – maioria estáticas, como exposições, que ocupam calendário. Além de um programa mais intelectualizado, a Comissão virou-se ainda para as escolas, onde decorrem concursos e jogos “republicanos” até ao final do ano lectivo.
Mas a Comissão tem ainda dado para outras guerras. Por exemplo Vasco Gonçalves exige: “Houve uma comissão, que foi constituída antes da comissão executiva, para conceber as comemorações do centenário da república, que teve uma pecha terrível : não tinha lá um militar de Abril representado, a Associação 25 de Abril não esteve lá representada”. O Comissário Sarsfield Cabral disse-lhe que, afinal, isso era a II República, não aquela que se comemorava …

in jornal O Diabo

1 comentário:

Jorge disse...

Vale a pena visitar o site do poeta-fadista João Ferreira-Rosa em defesa da Instituição Real e contra o caos republicano. Endereço:
ferreirarosa.weebly.com